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foto
do martelo:
marcelo scandarolli |
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Esta
é a maneira de "dialogar" da PM e da Reitoria
(09 de junho de 2009).
Na tentativa de conversar com o comandante da unidade de choque,
o despreparo, má formação e autoritarismo de PMs na ação,
levaram a me agredir com gás de pimenta, de maneira gratuita,
violenta e sem nenhuma necessidade. Atingiram também minha
esposa, Solange Francisco, funcionária. Ao falar com o comandante,
Ten Cel Longo, me desrespeitou e ao me identificar como professor
da USP, ameaçou me "prender", com a mesma
prepotência que somente havia visto com o Cel. Erasmo Dias,
na invasão da PUC em 1977, quando eu era ainda estudante secundarista.
O comando da PM no local também é despreparado. Depois com
os professores Lisete Arelaro, Chico Miraglia e outros, tentamos
novamente conversar para evitar o confronto, mas a resposta
foi com bombas de gás lacrimogênio.
O mesmo despreparo, má formação e autoritarismo da Reitora
Suely Vilela, demonstrando sua incompetência em gerir conflitos
na USP.
Entre
as várias manifestações de solidariedade, as quais agradecemos,
eu e minha esposa, gostaria de destacar esta mensagem do aluno
e amigo, Marco Aurélio, do curso de Pedagogia (FEUSP):
Olá
Marcos,
Estou
lhe escrevendo, também em solidariedade, mas em primeiro em
agradecimento. Atentei a sua foto no site do estadão, e logo
mostrei a alguns colegas que estavam comigo no momento...
Todos ficamos chocados, e não ficou dúvidas de que a sua intenção
era dialogar para o cessar.
Gostaria de dizer que, não sei se antes ou depois do ocorrido
flagrado em foto, avistei o professor e sua esposa Solange,
de mãos dadas, caminhando, se assim posso dizer. Subiram o
gramado entre a reitoria e a FFLCH, cruzaram a avenida conhecida
como rua dos bancos, e dobraram a esquerda, permanecendo entre
as árvores, no meio da avenida. E assim seguiram, ainda de
mãos dadas, em meio a fumaça daquela tarde que alguns já chamaram
de dia D da USP... Agradeço ao que, mesmo sem saber-me ali,
me ensinou. Enquanto alguns corriam atordoados e, revoltosos,
provavelmente pensavam em como revidar ou o que fariam se
tivesse condições físicas de revidar, o sr. e sua esposa mantiveram-se
serenos, ainda que tão atordoados quanto qualquer outro agredido
pelo gás. Foi nessa imagem, ironicamente bela, e de profunda
poesia, que num fim de tarde esfumaçado e a meia luz pus-me
a chorar... Ainda não consegui assistir ao vídeo da câmera,
não sei se consegui captar essa imagem. Com certeza, não captei,
até por que a princípio seria impossível, o calor que senti
em minh'alma, distinto de todo calor que senti durante toda
a tarde de ontem.
Talvez, se eu fosse poeta, saberia retratar o que senti. Tentarei,
nesse e-mail, em outros, em música, pensamento, e qualquer
outro espaço que me for concedido, declarar o que senti...
Nâo posso retribuir-lhe a altura o que me proporcionou, mas
agradeço da forma mais singela. Desde o fim de o primeiro
semestre de 2008, quando encerramos a disciplina Cultura e
Imaginário 2, ansiei pelo momento que poderia novamente desfrutar
de teus ensinamentos. Sei que pode parecer sádico, mas agradeço
muito por ter podido ontem retomar suas aulas. Sua serenidade
inabalável é digna de muita reflexão de todos, ainda não digeri
bem o que passou, mas espelho-me em sua postura para continuar
caminhando nessa árdua vida de lutas, lutas serenas, lutas
sinceras do espírito emancipado, ou a fim de emancipar-se.
Grato, grato, eternamente grato, a ti e a tua esposa,
Mande-lhe os sinceros agradecimentos,
beijos
Marco
Aurélio "Macarena", 10 de junho de 2009
Olá
querido professor,
Estou aqui torcendo para que sua recuperação se dê da melhor
maneira possível...Fico muito feliz de ter sido seu aluno e,
de certa forma, continuar sendo. Gostaria que todos os professores
de nossa faculdade e, quem dera, da universidade tivessem uma
postura como a sua e de alguns outros professores que tem contribuído
com a luta por uma universidade sem repressão. Compartilho com
você a tristeza por ver pessoas próximas introjetando o discurso
de apoio à essa repressão...isso chega a tirar um pouco das
minhas forças, entretanto, sigamos em frente...espero que em
breve estejamos juntos lado a lado novamente para lutarmos por
uma universidade livre e democrática.
Queria apenas deixar aqui minha admiração e respeito...Ao ver
a foto no seu site do policial lhe atirando gás de pimenta,
não pude deixar de pensar na frase do Che: "Hay que endurecer
pero sin perder la ternura jamás..." (em espanhol me lembra
mais ainda de ti)...Força e até breve.
Abraços
Elias Chagas da Silva (Dica), 19 de junho de 2009
-
Em função da greve e da repercussão das manifestações públicas
de funcionários, docentes e estudantes, conseguimos a retirada
da PM do campus da USP na madrugada de 22 de junho de 2009.

Imagens
da PM na USP:
clique aqui.
pessoas queridas:
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a despeito do que tem sido publicado na imprensa, lembro que
o movimento de greve na USP saiu vitorioso no que concerne
aos seguintes itens:
- retirada da PM do campus da USP na madrugada de 22 de junho
- adiamento da UNIVESP para 2010
- ganhos significativos na pauta específica dos funcionários:
1. Projeto de Lei Complementar 1074/2008, que criou, por proposta
da USP, 8.893 empregos públicos, efetuou-se acordo para a
inclusão de novo artigo, com a seguinte redação:
"Artigo 4º-A "Os empregos públicos criados por ato
próprio da Universidade de São Paulo, após a promulgação da
Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988, com contratos
já efetivados, ficarão mantidos até a respectiva vacância,
quando, então, serão extintos".
O referido projeto deverá ser apresentado ao advogado, Dr.
Alceu Luiz Carreira, que, juntamente com dois representantes
dos servidores técnicos e administrativos, deverão acompanhar
as gestões e desenvolvimento das ações.
2. Projeto de lei que cria a função de Professor de Ensino
Básico, será acrescido um artigo no referido projeto para
transformar as atuais funções de auxiliar de apoio educativo,
técnico de apoio educativo e educador em professor I do ensino
básico - para as duas primeiras funções, abrangendo até a
quarta série do ensino fundamental - e professor II do ensino
básico - para a última função, a partir da quinta série do
ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio.
O referido projeto deverá ser apresentado ao advogado, Dr.
Alceu Luiz Carreira, que, juntamente com dois representantes
dos servidores técnicos e administrativos, deverão acompanhar
as gestões e desenvolvimento das ações.
3. Projeto da nova carreira dos servidores técnicos e administrativos:
A Reitoria solicitou, por escrito, manifestação dos representantes
dos servidores junto à CCRH, quanto ao documento da pré-proposta
da carreira, encaminhado a esses representantes em 17/02/2009.
Nesse sentido, se compromete a não submeter a pré-proposta
aos órgãos competentes. Uma nova proposta de carreira deverá
ser discutida com os representantes dos servidores técnicos
e administrativos eleitos, tendo como base a proposta de estrutura
apresentada por estes.
4. Comissão para tratar de assuntos relacionados à área de
saúde: Essa comissão será composta pelo coordenador da Administração
Geral (Codage), Dante Pinheiro Martinelli (presidente), José
Antonio Franchini Ramires (vice-presidente), Paulo de Andrade
Lotufo, Douglas Alexandre Garcia e Walter José Fernandes,
bem como por seis servidores técnicos e administrativos -
Neli Maria Paschoarelli Wada, Solange Conceição Lopes Veloso,
Dinizete Aparecida de Sousa Xavier, André Luiz Orlandin, Marcello
Ferreira dos Santos e Tereza Ferreira Lima. A Comissão será
instalada no dia 30 de junho, às 16h.
5. Auxílio-Alimentação no valor de R$ 400,00, retroativo ao
mês de maio, o que corresponde ao reajuste real de 25%.
Vigente Proposta
R$ 320,00 R$ 400,00*
R$ 240,00 R$ 300,00**
* Para os funcionários com base inferior ao valor equivalente
ao nível Superior II-J da tabela de vencimentos da Universidade.
** Para os funcionários com base igual ou superior ao valor
equivalente ao nível Superior II-J da tabela de vencimentos
da Universidade.
Os valores correspondentes ao Auxílio-Alimentação serão pagos
da seguinte forma:
a) as diferenças dos valores de maio e junho, em folha suplementar,
no decorrer do mês de julho;
b) o valor do benefício de julho será pago em agosto.
6. Implantação do Auxílio Educação Especial, sem limite de
idade, para os dependentes portadores de necessidades especiais,
filhos de docentes e servidores técnicos e administrativos,
no valor de R$ 422,22.
7. Aumento do valor do Vale-Refeição, que terá reajuste de
15,38%, passando para R$ 15,00, a partir do dia 1º de julho,
a ser pago em agosto de 2009.
8. Auxílio-creche, já implementado, com aumento de 6,05%,
passando para R$ 422,22, conforme portaria GR 3094/97.
9. O gerenciamento das ações do Clube dos Funcionários terá
o processo analisado e a decisão a ser tomada será discutida
com os representantes dos servidores técnicos e administrativos
eleitos e a Coordenadoria do Campus da Capital do Estado de
São Paulo (COCESP).
10. Quanto à Escola de Engenharia de Lorena (EEL), a Reitoria
compromete-se a acompanhar e fazer gestões para a aprovação
dos três Projetos de Leis Complementares, que foram enviados
à Secretaria de Ensino Superior e dizem respeito a:
Transferência para a USP do Quadro Especial de Servidores
da extinta Faenquil, atualmente vinculado à Secretaria de
Estado de Desenvolvimento, e a criação de empregos públicos
para a EEL;
Criação de cargos docentes na EEL;
Criação de dotação orçamentária específica destinada ao custeio
e à manutenção das atividades acadêmicas e administrativas
da EEL.
11. Não haverá desconto dos dias parados.
12. A reposição dos dias parados se referirá ao trabalho-atividade
e não aos dias-horas.
13. Não haverá qualquer forma de punição decorrente das atividades
relacionadas ao movimento de greve.
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a discussão sobre o índice de reajuste salarial concedido
(sobre o qual a reitora e o CRUESP continuam irredutíveis)
será retomada na segundo semestre, assim como a questão da
carreira docente.
II - Continuidade do movimento
1- Organização de debates e ações pela democratização estrutural
das universidades estaduais;
2-
Luta contra o Ensino à Distância e a UNIVESP nos moldes propostos
pelo governo do Estado;
3-
Luta contra a implementação da carreira docente, aprovada
ilegalmente pelo Conselho Universitário da USP;
III
- Defesa do movimento
1-
Que a assessoria jurídica da Adusp colabore na defesa dos
estudantes que, por sua participação no movimento grevista,
têm sido, ou venham a ser, vítimas de perseguição política
2-
(a) Organização de uma comissão de professores para conversar
com a Reitoria com o propósito de obter o compromisso de respeitar
a decisão da Justiça do Trabalho de reintegração do funcionário
Claudionor Brandão.
(b)
Que essa comissão se manifeste no sentido de que cessem os
processos na justiça contra estudantes por participarem de
movimentos de luta em defesa da universidade;
IV
- Reposição de aulas
Quanto
à reposição das aulas, será enviado ofício à Reitora, com
cópia para os Pró-Reitores de Graduação e Pós-Graduação, considerando
os três pontos abaixo:
a-
Garantia de condições para que haja reposição, com qualidade,
do conteúdo integral dos cursos e disciplinas de graduação
e pós-graduação que sofreram interrupção;
b-
redefinição do calendário escolar de modo a permitir contemplar
as particularidades dos cursos, disciplinas e unidades;
c-
respeito aos setores em greve e repúdio a qualquer punição
dos que lutam em defesa da universidade;
V
- Moções
1-
Repúdio à proposta salarial dos Reitores e à intransigência
durante a negociação;
2-
Repúdio à escalada intimidatória da Reitoria da USP contra
os movimentos organizados (os textos completos da ADUSP de
ambas serão divulgados em breve).]
-
estas conquistas não teriam sido possíveis sem a mobilização
de funcionários, docentes e estudantes. Ainda que possamos
discutir sobre a pertinência da greve como instrumento de
luta sindical é indiscutível que sem este instrumento, sem
as manifestações públicas e engajamento, nada teríamos avançado
em relação à administração autoritária e questionável que
temos com a reitora Sueli Vilela.

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