monitora
do núcleo de circo:
Paula Capaz (palhaça-mágica
tranquêra)
contato: paula.capaz@hotmail.com
MEMORIAL
Era uma vez
Uma menininha quietinha e assustadinha em sua escolinha.
Aí, ela entrou numa fila pra tirar foto com um Palhaço
amarelo e ficou tão agitada e tagarela que uma professora
lhe disse:
- Era tão quietinha... Que decepção!
Pôxa... Ela não entendeu nada...
Era outra vez
Duas priminhas mocinhas escolhendo a lembrancinha
que iriam ganhar da madrinha.
Aí, cada uma levou um pingente: de cara de menina
verde, pra uma; de palhaço, pra outra. E a tia olhou
os dois e disse:
- A menina verde é mais bonita!
Ah! Ela não entendeu nada...
Era ainda uma vez
Uma jovenzinha revoltadinha querendo mudancinhas pra
sua vidinha.
Aí, ela procurou e achou váaaaaaaaaarias respostas,
outras váaaaaaaaaaarias perguntas e um Palhaço. E
caiu no mundo. E tooooooooodos disseram:
- Ela enlouqueceu de vez!
Eles não entenderam naaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaada!
Era por vez
Uma mulher, uma Palhaça, que decidiu fazer da imaginação
a sua realidade em qualquer lugar.
Aí, ela percebeu na sua história, o seu presente;
em cada decisão, um tijolo; em sua vida, a construção
de um modo ser. E disse pra si mesma:
- Me encontrei!
Ela tinha entendido quase tudo...
Pois sempre haverá muito ainda por entender.
E o que disseram os outros?
- É: fazer o quê? É uma TRANQUÊRA!
Fazer o quê?! Aplaudir!!!!!
E finalmente, eles também entenderam.
Plano de trabalho:
• Aprender a “dar a cara a tapa” – rir de si mesmo,
rir da humanidade;
• Aquecimento corporal e vocal – perceber o próprio
corpo, como ele pode ser engraçado por ele mesmo.
Idem com a voz.
• Montagem de uma situação cômica:
Equilibrar uma vassoura no centro da mão. Orientação:
nada pode lhe desconcentrar. Depois: tudo te desconcentra;
Mesmo jogo, só que com parceria: um super concentrado,
outro tenta desconcentrar;
Idem, mas com a orientação: se ele ceder, você recua.
Se ele rechaçar, você insiste. O final é por conta
de vocês.
• Chamar a atenção para as linhas da cara e como
elas sugerem uma máscara. Olhar o rosto do outro e
desenhá-lo com máscara.
• Do mesmo modo, o formato do corpo sugere uma roupa.
Olhar o corpo do outro e desenhar peças que poderiam
compor uma roupa de palhaço.
• Psicologia do Palhaço: uma construção gradual,
que acontece na medida em que nos permitirmos ser
palhaços, deixar o nosso palhaço sair. Ele está afinado
com nossa espontaneidade, com nossa história de vida,
nossas crenças genuínas, nossas críticas, nossas vivências,
nossa memória corporal. Deixe sair, se perceba, se
aceite, goste, permita-se fruir... e então nomeie.
Nunca se agrada a todos, nada está garantido, então
curta no ato! O seu prazer inspira o do público;
• Palhaço ou clown? Acredito que: tudo depende apenas
do idioma em que nos comunicamos... e nada mais.
Sejam bem-vindas e bem-vindos e sintam-se “introduzidos”
no universo da palhaçaria!
Programa do Lab-arte
de Circo – Palhaços
Toda quarta-feira,
das 20 às 21h30,
na sala 149
(onde o Judas perdeu as meias, porque as botas perdeu
antes!)
- A construção de um repertório cômico (o cômico
cotidiano e o dos profissionais do riso ao longo da
história);
- O corpo e suas formas de expressão (extremos,
ridículos e inabilidades);
- A máscara do palhaço (as linhas da “cara”);
- A roupa do palhaço (a ênfase das formas do corpo);
- A brincadeira (a descoberta do meu tipo, a relação
com os outros tipos, o improviso);
- O roteiro (a partir do vivenciado no improviso
e do repertório levantado ao longo da caminhada);
- A experimentação (o ensaio sempre em aberto);
- O público (jogando com as "deixas" deste
parceiro imprescindível).
Bibliografia:
ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do
pensamento. Rio de Janeiro: Zahar,
1999.
BENDER, Ivo. Comédia e Riso: uma poética do teatro
cômico. Rio Grande do Sul: Ed. UFRGS/ EdiPUCRS, 1996.
BOCA LARGA: Cadernos dos Doutores da Alegria/ nºs
1, 2 e 3. São Paulo: Doutores da Alegria, 2005, 2006
e 2007.
BOLOGNESI, Mário Fernando. Palhaços. São Paulo: Ed.
UNESP, 2003.
CASTRO, Alice Viveiros de. O elogio da bobagem: palhaços
no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Ed. Família
Bastos, 2005.
CHACRA, Sandra. Natureza e sentido da improvisação
teatral. São Paulo: Perspectiva, 2005.
DUARTE JR, João Francisco. Fundamentos estéticos da
educação. São Paulo, Papirus. FO, Dario. Manual mínimo
do ator. São Paulo: Ed. SENAC-SP, 2004.